CIDADE

Gestores públicos se reúnem para discutir problemas na saúde do Centro Sul


Gestores dos 10 municípios que compõe a 18ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRES) se reuniram na manhã desta segunda-feira (3) para discutir melhorias no atendimento do Hospital Regional de Iguatu. Administrado pela Sociedade Beneficente São Camilo desde novembro do ano passado, o hospital tem sido alvo de críticas por parte da população que procura atendimento médico na instituição. Falta de médico cirurgião e anestesistas nos plantões de urgência e emergência, além da falta de leitos, tem sido um dos fatores que mais preocupa os gestores públicos. 

“Há uma demanda crescente nos serviços públicos de saúde em nosso município. A UPA está ajudando muito, mas já começa a dar sinais de estrangulamento. Os gastos da Prefeitura em saúde subiram cerca de R$ 2 milhões de reais ao ano, e, no entanto os repasses do governo federal permanecem congelados. Não tem como dar um bom atendimento de saúde à nossa população se os recursos que são repassados para os municípios estão congelados”, observou Aderilo Alcântara

A falta de estrutura no sistema de saúde da região não é um fato novo. Nos últimos oito anos, com os investimentos, em sua maioria, direcionados para a região Norte e Cariri,  a população do Centro Sul tem enfrentado dificuldades para obter atendimento médico adequado. Na área de exames especializados, o governo implantou uma policlínica, mas os serviços disponíveis não conseguem atender a demanda. Faltam médicos especialistas para atender na unidade. “O que podemos concluir é que faltam recursos para suprir as carências do setor. Ninguém faz saúde se não tiver a fonte de custeio”, disse o prefeito de Jucás, Raimundo Luna.

O diretor do Hospital De Iguatu, Dr. Cláudio Marmentini reconhece as falhas ocorridas na gestão, mas afirma que houve avanços na qualidade dos serviços prestados à população, principalmente no setor de traumatologia. “Tivemos problemas com repasses de recursos para o hospital, e isso atrapalhou um pouco, mas mesmo assim estamos conseguindo retomar a normalidade, e a nossa previsão é de que chegaremos ao final do ano bem melhor do que agora”, disse Dr. Cláudio Marmentini.

O médico e prefeito de Acopiara, Vilmar Félix disse que as deficiências no setor de saúde pública da região tem causado verdadeiros constrangimentos aos gestores municipais. “É uma situação que nos deixa de mãos atadas. A população procura socorro médico e quando não são atendidas colocam a culpa nos prefeitos”, lamentou.

O Vice-presidente da Associação dos Prefeitos do Estado do Ceará (APRECE) e prefeito de Piquet Carneiro, Expedito Oliveira, também participou do encontro. Ele disse que a reunião serviu para mostrar que as dificuldades enfrentadas no Hospital Regional de Iguatu é um reflexo da falta de investimentos na saúde da região, e consequentemente atinge diretamente a todos os municípios que compreendem a microrregional de saúde. “Nessa reunião pudemos discutir várias questões que vem comprometendo o atendimento público da saúde na região, e o nosso sentimento, a partir de agora, é unirmos forças, para que possamos buscar soluções para a questão do hospital regional e também dos próprios municípios”, disse Expedito do Nascimento.

A reunião foi realizada no auditório do Hospital Regional, e contou com a participação de prefeitos dos municípios de Acopiara, Jucás, Quixelô, Catarina, Piquet Carneiro, Irapuan Pinheiro e Iguatu, além dos secretários de saúde  das cidades de Cariús, Saboeiro e Mombaça e representantes da saúde do Governo do Estado. Os dez municípios que integram a 18ª Coordenadoria Regional de Saúde, atendem a uma população de cerca de 300 mil habitantes.

Audiência no Ministério Público
Na semana passada, após tomar conhecimento do agravamento dos problemas na saúde de Iguatu, o prefeito Aderilo Alcântara provocou uma reunião de emergência na sede do Ministério Público local com a presença do diretor do Hospital Regional, Dr. Cláudio Marmentini, de representantes do Poder Legislativo e do promotor de Justiça de Iguatu, Dr. Francisco das Chagas. “Levamos a situação ao Ministério Público. Fizemos as nossas ponderações, e o Dr. Cláudio nos garantiu que os problemas de atendimento no Hospital de Iguatu serão amenizados”, disse Aderilo. 


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