REGIONAL

Com saúde em crise, Ceará atende pacientes no chão

Pacientes são atendidos nos corredores e no chão em Fortaleza
Pacientes atendidos nos corredores e no chão, falta de materiais básicos e um surto de sarampo. O secretário de Saúde do Ceará pediu demissão há mais de uma semana. O governador Camilo Santana (PT), porém, não sabe até agora quem irá substituí-lo.

Os pacientes atendidos em corredores dos hospitais públicos somaram 429 nesta segunda (12), maior número desde 21 de abril, quando começou um levantamento do sindicato dos médicos em cinco hospitais estaduais e nove municipais em Fortaleza.

No domingo (10), pacientes foram atendidos diretamente no chão no hospital Instituto Dr. José Frota, referência em traumas e parte da rede municipal -sob gestão do prefeito Roberto Claudio (Pros).

O presidente da Associação Médica Cearense, Carmelo Leão, diz que a falta de estrutura de postos de saúde, alguns fechados por falta de material, provoca sobrecarga no sistema e superlotação.

No Hospital Geral de Fortaleza, faltam itens básicos, como luvas, seringas e clorexidina (para higienizar as mãos), segundo a presidente do sindicato, Mayra Pinheiro, que é filiada ao PSDB. Cirurgias já foram canceladas porque não há fios para suturar cortes. Nas UTIs neonatais, faltam
tubos para entubar os bebês. "Estamos trabalhando numa guerra. Profissionais levam, às vezes,
medicamentos de casa."

A falta de estrutura também é apontada como responsável pelo surto de sarampo. Desde 2013, o Brasil teve 1.057 casos confirmados, sendo 803 no Ceará e 224 em Pernambuco. A transmissão da doença havia sido interrompida no país nos anos 2000.

O Ministério da Saúde diz que, nos últimos quatro anos, repassou quase R$ 1,6 bilhão ao governo do Ceará, além de R$ 179,4 milhões em 2015, para atendimentos, exames, internações e custeio.

A assessoria do Instituto Dr. José Frota diz que irá investigar a razão de pacientes serem atendidos no chão, mas afirma que eles "ficaram poucos minutos nessa condição". O governo do Ceará afirmou que os atendimentos aumentaram devido à chuva, quando há mais viroses.

(A Folha)



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