REGIONAL

Crise na Saúde atinge hospital do Coração de Barbalha

A crise financeira que assola a maioria dos hospitais públicos do País atingiu mais uma unidade de saúde na região Sul do Ceará. O Hospital do Coração do Cariri, sediado no município de Barbalha, anunciou, ontem, por meio da direção, que reduzirá drasticamente o número de procedimentos de alta complexidade por conta da falta de recursos. Cirurgias cardíacas, implante de marca-passos, angioplastias e exames de diagnóstico, por exemplo, foram cancelados por tempo indeterminado.

A direção do hospital alega que os valores repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são insuficientes para manutenção dos serviços. Além de estarem defasados, também há reclamações de atrasos nos pagamentos de procedimentos realizados e ainda não quitados pelo SUS. O valor da dívida já ultrapassa R$ 2 milhões.

A Unidade hospitalar do Cariri enfrenta uma
crise sem precedentes
Atualmente, o teto estabelecido pelo SUS para pagamento dos procedimentos feitos pelo hospital é de R$ 274 mil. O valor, conforme a direção da Unidade, não supre a demanda existente. Um levantamento realizado pela administração aponta para a necessidade do aumento do teto de atendimento para, no mínimo, R$ 500 mil.

O Hospital do Coração do Cariri atende pacientes dos 28 municípios que compõem a região. Também há procura de pacientes oriundos de outros locais do Ceará e de cidades vizinhas nos Estados da Paraíba e Pernambuco. Ontem, durante a exposição da atual situação vivida na Unidade, o clima era de preocupação e tristeza.

"O Hospital só manterá atendimento de urgência e emergência. Não há mais condição de continuarmos realizando os atendimento que eram ofertados sem que haja a liberação dos pagamentos que estão em atraso pelo SUS e a ampliação do teto relativo ao pagamento dos procedimentos", observou o médico José Correia, um dos diretores da unidade hospitalar.

Os problemas ocasionados pela falta de recursos vêm se acumulando nos últimos meses. Em fevereiro, a direção foi obrigada a reduzir o número de leitos e a extinguir o setor de Pós-Operatório Imediato (POI), reservado a pacientes saídos de cirurgias cardíacas, por falta de condições financeiras para manutenção do setor. A unidade tem buscado, desde 2007, realizar o credenciamento junto ao Ministério da Saúde para realização da alimentação parenteral dos pacientes, ação vista como fundamental para o atendimento de pessoas que sofrem com dificuldades de deglutição. Até hoje, no entanto, tal cadastro não foi realizado.

"Fato é que a demanda cresce a cada dia e não há evolução dos valores pagos pelo governo Federal em relação aos procedimentos. O hospital precisa receber do SUS os procedimentos que foram realizados e que, até agora, não foram pagos. Há uma grande quantidade de procedimentos que ainda precisam ser realizados. Porém, por conta da falta de condições financeiras, não há como continuarmos trabalhando desta forma. O Estado repassa R$ 90 mil mensalmente. Esse valor, no entanto, apenas minimiza a situação. O que precisamos é de uma ação concreta, que possibilite a manutenção permanente dos procedimentos", avaliou o médico João Correia, que também integra o quadro diretório da unidade.

Prejuízos

Somente no período de 2012 a 2014, os prejuízos contabilizados pelo Hospital do Coração do Cariri chegaram a R$ 350 mil. Por causa do não recebimento dos valores devidos pelo SUS, a Unidade também ficou inadimplente junto a fornecedores. Só as dívidas que o hospital possui pela aquisição de próteses e órteses totalizam mais de R$ 600 mil.

No ano passado, a unidade realizou cerca de 22 mil procedimentos, superando os 19 mil que tinham sido efetivados em 2013. O hospital conta com cerca de 200 profissionais habilitados. Quatro plantonistas atuam em regime de revezamento entre o setor de Emergência e a Unidade Coronária (UCO).

Na tentativa de solucionar o problema relativo aos atrasos de pagamentos pelo SUS, bem como a necessidade de ampliação do teto estabelecido, a direção do hospital buscou o auxílio Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).

A perspectiva é que o órgão ministerial repasse a situação ao Poder Judiciário para que este solucione as pendências em aberto. "Nós estamos buscando todas as alternativas possíveis para que não haja o fechamento total do hospital. A situação é grave e precisa ser solucionada o mais breve possível para que não haja prejuízo aos pacientes que necessitam dos procedimentos que, até então, vinham sendo oferecidos", concluiu o médico João Correia.


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