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Mudanças nas regras eleitorais geram controvérsias

Com a aprovação da minirreforma eleitoral em 2015, a campanha eleitoral deste ano vai passar por mudanças, como o encurtamento do período das campanhas, que passam de 90 dias para apenas 45. Analistas políticos opinam que essa mudança deve beneficiar candidatos já conhecidos do público.

"O candidato que busca o seu primeiro mandato estará concorrendo durante apenas 45 dias com um prefeito ou vereador que teve quatro anos para enviar cartão de Natal ao eleitor, conversar nas ruas e receber a população em seu gabinete. Então isso é, de certo modo, desleal", avalia Carlos Manhanelli, presidente da Associação Nacional dos Consultores Políticos.

O consultor político Carlos Manhanelli diz que os 'velhos nomes' devem se beneficiar com as mudanças na eleição.

No Ceará, Manhanelli analisa que a presença de emissoras em municípios como Juazeiro do Norte, Caucaia, Sobral, Aracati, Pacajus e a própria Capital pode influenciar diretamente no processo de escolha dos eleitores. "O problema neste caso é que a propaganda não pode ser feita de qualquer forma. Há casos em que o candidato passa vergonha, quando o que ele precisa é da aprovação de quem o assiste", alerta o especialista.

O período de propaganda dos candidatos no rádio e na TV também foi diminuído de 45 para 35 dias, com início em 26 de agosto, no primeiro turno. Para o cientista político e professor da Universidade Regional do Cariri (URCA) José Roberto Siebra, diante de tantas alterações no processo, os efeitos são imprevisíveis.

"Uma coisa fundamental é que as eleições municipais deste ano ocorrerão num contexto diferenciado, especialmente no tocante à legislação eleitoral, que vai exigir o mano a mano, mais forte por parte dos vereadores. Os novatos, lógico, entram na disputa em desvantagem quando sabemos que o detentor do poder tem mais ferramentas".

Inserções
Sobre a redução do tempo de rádio e TV, que pode deixar candidatos a vereador de fora, restando apenas as inserções no meio das programações, o docente afirma que não deve causar muita preocupação aos concorrentes às câmaras municipais, que já para "driblam" a lei. "Não raramente vemos adesivos em carros com frases que no fim remete a uma pessoa ou simplesmente dizendo que fulano é meu amigo. Isso não deixa de ser uma propaganda antecipada".

Nas eleições deste ano, os políticos poderão se apresentar como pré-candidatos sem que isso configure propaganda eleitoral antecipada, mas desde que não haja pedido explícito de voto. Já as convenções partidárias devem acontecer de 20 de julho a 5 de agosto de 2016. O prazo antigo determinava que as convenções partidárias deveriam ocorrer no período de 10 a 30 de junho do ano da eleição.

Carlos Manhanelli avalia que as alterações promovidas no ano passado são positivas, mas enquanto o direito de ser candidato no Brasil for "hereditário", dificilmente haverá rupturas significativa no País. "Tenho observado que as pessoas não querem uma figura simpática, de sorriso fácil, isso também é importante, mas o que elas desejam é um gerente para suas cidades", pontua o consultor.



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