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Ceará confirma 150 casos de microcefalia


O Estado do Ceará já confirmou 150 casos de microcefalia entre outubro de 2015, quando as ocorrências passaram a ser notificadas aos órgãos de saúde pública, e outubro deste ano. Apesar da redução no informe de registros durante o segundo semestre, a gravidade da doença ainda preocupa: o Ceará se mantém, desde agosto, como 1º do Brasil em número de óbitos fetais e neonatais, com 25 ocorrências, de acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado quarta-feira.

A unidade fica à frente de Estados que apresentam dados mais alarmantes quanto à notificação de casos, como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Pernambuco. Este último, apesar de liderar as confirmações no País, com 399 ocorrências, registrou nove óbitos. Atrás do Ceará, vêm Rio Grande do Norte, com 23 óbitos; Bahia, com 22, e Paraíba, com 18. A Região Nordeste concentra 121 (64%) dos 187 óbitos infantis relacionados à microcefalia, em todo o País.

Das mortes ocorridas no Ceará, nove ocorreram em Fortaleza, duas em Canindé, duas em Russas e mais 12 em municípios diferentes. Outras 18 permanecem em investigação. Ao todo, 624 notificações suspeitas para detecção da microcefalia ou de outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita, foram realizadas no Estado, também no período de um ano, e 140 delas permanecem em investigação. Ainda segundo o Ministério, 117 cidades cearenses fizeram pelo menos um registro da doença, embora ela só tenha sido comprovada em 54. Já o último boletim da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) informa que Fortaleza contabiliza 46 das 150 confirmações - quase 30% dos casos do Ceará -, seguida por Caucaia (9), Juazeiro do Norte (8), Crato (7) e Quixeramobim (6).

Apesar da liderança do Ceará no número de óbitos, a assessora técnica do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do Estado, Pâmela Linhares, salienta que a investigação é uma das prioridades do órgão. Segundo ela, a agilidade no diagnóstico é possibilitada através de parcerias com o Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen) e o Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará, especialistas na análise de arboviroses. Além disso, a notificação de suspeitas de casos nas unidades de saúde do Ceará segue parâmetros do Ministério e deve ocorrer cerca de 24h após o parto.

Subnotificação

Questionada sobre uma possível subnotificação, Pâmela esclareceu que ela pode ocorrer, mas em poucos casos. "Até porque o Governo Federal está dando um benefício às famílias com crianças que têm microcefalia". O benefício de prestação continuada paga R$880 por mês e já foi concedida a 132 famílias no Ceará, desde 2015, conforme o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

(DN)


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