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Golpe do boleto falso desafia a polícia

A explosão da prática criminosa começou no mês de dezembro do ano passado, quando os estelionatários passaram a explorar descontos inexistentes na compra de produtos e no pagamento de serviços básicos, como água e energia. Neste mês de janeiro, os criminosos voltaram as atenções para o IPTU e o IPVA e, com essas faturas em mãos, eles apenas trocam o código de barras.

Delegado alerta para que as pessoas não caiam no golpe
Os estelionatários também são hackers ou contam com o apoio dos 'piratas da internet'. Eles invadem o sistema de informática das empresas, têm acesso aos dados das suas dívidas ou das contas dos clientes, visualizam o boleto bancário verdadeiro e fazem uma cópia 'idêntica', trocando o código de barras (ou o preço verdadeiro para um falso, com desconto, em alguns dos casos). Em seguida, os criminosos enviam o boleto falsificado para o e-mail da empresa ou do cliente. "É uma dívida que você tem e recebe por e-mail, o que já passa uma certa confiança. O modelo emitido é o mesmo. O que será diferenciada é a leitura do código de barras", explica o titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), delegado Jaime Paula Pessoa Linhares.

O delegado incluiu o 'golpe do boleto falso' como uma das dez práticas de estelionato que mais preocupam a polícia cearense. Entretanto, naquela época do ano, a DDF registrava, em média, um Boletim de Ocorrência (B.O) por mês, que geralmente se referia a uma grande quantia perdida.
Em dezembro, o golpe ganhou novas características, atingindo também valores menores e um raio maior de alvos. Em um mês, a Delegacia Especializada da Polícia Civil registrou 11 B.Os por causa do golpe.

O delegado Jaime Paula Pessoa Linhares explica o plano dos estelionatários no mês passado: "Eles se aproveitaram do movimento do comércio e remeteram os boletos (falsos) principalmente para empresas que fizeram as compras para abastecer suas casas comerciais. Eles ofereceram o desconto. E o empresário, que deve, em um momento de crise econômica no País, quis aproveitar esse desconto".

Um grande frigorífico da Capital foi uma das vítimas que registraram B.O na DDF no último dezembro, após efetuar o pagamento de um boleto bancário de aproximadamente R$ 100 mil, que era falso.

Uma empresa fornecedora de medicamentos também foi alvo dos golpistas, mas dessa vez quem se prejudicou mais foram os clientes. Segundo reportagem da TV Verdes Mares, duas pessoas receberam um e-mail que seria da empresa contratada, informando que tinha emitido um novo boleto com um suposto abatimento dos impostos, caso eles efetuassem o pagamento em um menor intervalo de tempo possível.

Foi o que ambos fizeram, perdendo R$ 7.738,20 e R$ 1.973,99 que foram para a conta do estelionatário. Com uma semana, este mês já soma 3 B.Os registrados em decorrência também do 'golpe do boleto falso'.

A Polícia tomou conhecimento do último caso no dia 5. Uma pessoa que comprou uma televisão de 49 polegadas em um site de uma grande loja, na internet, recebeu, no e-mail, um boleto falso, que tinha o valor verdadeiro da mercadoria, e pagou o documento. Após o vencimento do boleto original, a empresa reclamou o pagamento, que ainda não havia sido recebido, e o consumidor percebeu que tinha caído em um golpe.

Segundo o titular da DDF, o IPTU e o IPVA irão se tornar os principais alvos dos golpistas a partir de agora. Como esses impostos já oferecem descontos a quem decide pagar antecipadamente, a tendência é que os golpistas repliquem o modelo do boleto original e alterem apenas o código de barras.

Prevenção

Para que mais pessoas não caiam no golpe, o delegado Jaime Paula Pessoa Linhares listou dicas de prevenção: "Em primeiro lugar, você não deve ser levado pelo impulso e, por saber que tem aquela dívida e ver o abatimento, por melhor que ele seja, efetuar o pagamento; certificar com a empresa se ela está mesmo fornecendo esse abatimento; procurar conferir os números do banco no boleto; e ver o endereço de e-mail que enviou o novo boleto, pois quando é um servidor de e-mail gratuito tem que levantar desconfiança".

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