Encontro debate educação inclusiva

Professores da rede municipal e estadual de educação e técnicos de sete Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento Educacional (Credes) participaram, ontem, no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas de Iguatu(CDL), de encontro sobre educação inclusiva. Cerca de 80 profissionais participaram do evento que teve como objetivo principal debater a instalação de salas de recursos multifuncionais.

Essas salas são destinadas para os alunos com deficiências motora, mental, auditiva e visual. São unidades que dispõem de jogos interativos, equipamentos pedagógicos, de áudio, mesas, tábuas de leitura em Braille e informática para o atendimento individualizado de estudantes especiais, desenvolvendo ações de inclusão. "A meta para este ano é de instalação de 200 salas", disse a técnica da Secretaria de Educação Básica do Ceará (Seduc), Nara Santos.

As salas de recursos multifuncionais são recursos pedagógicos modernos colocados à disposição da sociedade pela Seduc em parceria com o Ministério da Educação (MEC). O encontro capacitou os profissionais da educação inclusiva e terá continuidade em agosto próximo, na cidade de Icó. "Podemos dizer que o evento foi a primeira aula de formação", disse a coordenadora pedagógica da Escola de Ensino Fundamental Humberto Castelo Branco, em Jaguaribara, Elinalva Cavalcante.

No âmbito da 16ª Crede, quatro escolas oferecem educação inclusiva, em Iguatu, Escola Carlos de Gouvêa, Liceu Dr. José Gondim, o Centro de Educação de Jovens e Adultos, e a Escola de Ensino Fundamental e Médio Filgueiras Lima. Os professores disseram que a maior dificuldade para atender às crianças deficientes é a falta de capacitação e de experiência. "A maioria dos docentes resiste e teme o atendimento às crianças especiais", disse a superintendente escolar do Crede 11, em Jaguaribe, Eliete Saldanha. "Muitos docentes se sentem despreparados, mas é um desafio que precisamos enfrentar".

Os técnicos e professores presentes ao encontro defenderam a ampliação da oferta de capacitação para a educação inclusiva. "A resistência existe, mas é por insegurança", observa a técnica da Seduc, Nara Santos. "Já foram capacitados mais de cinco mil professores". Outro fator observado é a rotatividade dos docentes, que são contratados temporariamente, dificultando a continuidade do atendimento em sala de aula.

Falta de espaço

Nara defendeu a inclusão de alunos com deficiência leve e moderada em sala de aula regular, mas reconheceu as dificuldades de falta de espaço e de estrutura das escolas. "Os alunos surdos precisam de um intérprete em sala de aula, mas poucas unidades oferecem professores com essa capacitação". Disse também que a instalação de salas multifuncionais vai permitir a produção de material escolar próprio segundo o nível dos alunos. "Isso representa mais um avanço. O objetivo é o desenvolvimento desses alunos a partir de suas potencialidades individuais". A professora Alessandra Martins, da Escola de Ensino Fundamental dom Quintino, no Crato, há dois anos trabalha na rede estadual de ensino com crianças especiais. "Não tive dificuldade por causa de minha experiência na Apae. Hoje não me imagino fazendo outra coisa, senão ensinando essas crianças". Desde 2009 trabalha em sala multifuncional e reconhece as dificuldades. "É um desafio que não é fácil de ser vencido, mas precisa ser enfrentado".

Participação

80 profissionais, aproximadamente, participaram do evento, no Município de Iguatu, que teve como objetivo principal debater a instalação de salas de recursos multifuncionais

MAIS INFORMAÇÕES:
Crede 16 Iguatu
(88) 3581.9450
Centro-Sul

Honório Barbosa
Repórter


Luiz Vasconcelos

O redator do blog tem formação acadêmica pela Universidade Estadual do Ceará na área de Pedagogia, no entanto, tem grande predileção pelo jornalismo.

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