Homicídios de negros duplicam no Ceará, diz pesquisa

Dados que assustam e revelam uma dura realidade: o homicídio de negros no Ceará quase dobrou entre os anos de 2004 e 2007, segundo dados do Mapa da Violência 2010, construído pelo Instituto Sangari. O assassinato desse grupo cresceu, no Estado, 49,4%. Os dados revelam ainda a vulnerabilidade dessa parcela da população. Foram assassinados, no Ceará, em 2002, 704 negros; em 2004, 693 e, em 2007, 1369.

A pesquisa aponta que a morte de afrodescendentes é quase sete vezes maior que a de brancos. Qual o motivo disso? De acordo com Paulo Sérgio Lisboa, coordenador municipal do Movimento Negro Unificado de Fortaleza (MNU), esses números representam o que há muito as entidades já vem gritando: o extermínio em massa dessa parte da população. “A parcela mais vulnerável da sociedade é a juventude, negra e pobre, que vem sofrendo diversas violações de direito, sendo vítima do crack, da violência urbana e policial. Isso é visto diariamente nos programas policiais sensacionalistas. A pesquisa só reforça o que já sabíamos e deve ser condenado”, frisou Paulo Sérgio.

Segundo o Mapa, foram assassinados no Brasil, em 2007, 14.308 brancos e 30.193 negros. Essa mesma proporção de homicídios é semelhante se olharmos para o Nordeste: 1.218 mortes de pessoas de pele branca e 12.547 de pele escura. “Essa realidade é nacional. O Movimento Negro Unificado na Bahia, por exemplo, lançou até uma Campanha denunciando o extermínio de negros nas grandes cidades. “Reaja ou será morto!” é o lema da ação. Não podemos fechar os olhos para essa matança. A cidade tem que parar de criminalizar os usuários de drogas, por exemplo, e tratar a questão como um problema de saúde pública. A ação policial também precisa ser condenada”, comentou o coordenador do MNU em Fortaleza.

O Mapa da Violência pode ser acessado no site: http://www.institutosangari.org.br/mapadaviolencia/

Jornal O Estado
Por Lyna Girão

Luiz Vasconcelos

O redator do blog tem formação acadêmica pela Universidade Estadual do Ceará na área de Pedagogia, no entanto, tem grande predileção pelo jornalismo.

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