O resultado da pesquisa Datafolha divulgada neste sábado aumentou as expectativas de cientistas políticos pela divulgação do levantamento do Ibope, previsto para a próxima quarta-feira (21). Poderá ser uma espécie de tira-teima, já que a pesquisa Sensus divulgada na semana passada apontava para um empate técnico entre os dois candidatos.
No entanto, segundo o cientista político, professor de ética e filosofia da Unicamp, Roberto Romano, existe o risco do resultado do Ibope colocar ainda mais dúvidas sobre a análise da corrida presidencial. “A discrepância entre o Sensus e o Datafolha é enorme. É difícil explicar isto pela margem de erro”, afirmou.
Para ele, a diferença entre os resultados é mais um ingrediente do cenário de uma campanha tensa que vem sendo desenhado desde o ano passado. “De fato vamos ver uma campanha muito violenta. Totalmente fora dos padrões comuns da ética de campanha e com surpresas surgindo a cada momento”, acrescentou.
O cientista político Amaury de Souza, entretanto, acha possível um resultado distante da média e não vê grandes mudanças na pesquisa do Ibope. “Pesquisas podem, mesmo sendo bem feitas, chegar a resultados muito fora da média. Por algum motivo a amostra selecionada pode não corresponder ao cenário atual”, disse, referindo-se ao levantamento do Sensus.
Em relação ao Datafolha, Souza considera que o resultado reflete a média dos dois candidatos verificada no ano passado. “Dilma saiu no início de 2009 de uma base média de 10% para 25%, e o Serra se manteve entre 35% e 40%. É isso que a pesquisa de hoje mostra”, afirmou.
Já o historiador da Universidade Federal de São Carlos, Marco Antônio Villa, acredita que se o resultado do Ibope da semana que vem confirmar a diferença de dez pontos entre Serra e Dilma é difícil que o pré-canditato do PSDB não carregue a liderança até junho, época das convenções dos partidos. “Acho que vai reforçar [pesquisa Ibope] esta tendência. E aí acende o sinal amarelo de que a estratégia da campanha Dilma não vai bem”, disse.
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