Polêmica na visita de Dilma ao Ceará

Alguns setores do PMDB estudam pedir mudanças nos rumos no comando da campanha da pré-candidata petista ao Planalto, Dilma Rousseff. Integrantes do partido da base consideram que, depois dos primeiros roteiros de viagem terem sido contestados pela oposição e por aliados, a ex-ministra se viu diante de um novo desafio de articulação ao escolher o Ceará como a segunda parada neste momento pré-eleitoral. No fim da semana passada, a campanha(1) decidiu que ela faria uma visita de dois dias a Juazeiro do Norte e a Fortaleza.

A aparição no estado foi vista como provocação pelo deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e pelo governador Cid Gomes (PSB). O PT local tem ameaçado romper a aliança com os socialistas, numa tentativa de forçar a desistência de Ciro (leia mais na pág. 5) do páreo presidencial. Na semana passada, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), reuniu-se com o ex-governador Lúcio Alcântara, cria de Tasso Jeireissati (PSDB), hoje no PR, para instá-lo a sair candidato contra Cid.

O PT ameaça romper com o governador socialista porque, além de ser uma forma indireta de acertar Ciro, Cid resiste em abrir espaço para José Pimentel, ex-ministro da Previdência, concorrer ao Senado em sua chapa. O deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) é o candidato do governador. O convite do PT a Alcântara seria uma maneira de acomodar interesses regionais. O detalhe é que, em 2006, os petistas juntaram-se ao PSB para derrotar o então tucano e governador em busca de reeleição Lúcio Alcântara.

CPI
Outro ponto considerado espinhoso é que, em Juazeiro do Norte, Dilma apareceria ao lado do prefeito Manoel Santana (PT), alvo de uma CPI, acusado de irregularidades na aplicação de dinheiro do governo federal. Diante do potencial problema, a campanha decidiu cancelar a viagem. Mas, no sábado, depois de reunir-se com dirigentes da campanha, Dilma decidiu manter a visita a Fortaleza para receber o título de cidadã da capital na Câmara de Vereadores, um convite feito na época em que ela era ainda ministra, e reunir-se com o empresariado cearense.

Martelo
Um parlamentar do PMDB defendeu a necessidade de a agenda da candidata levar em conta uma negociação com os aliados para evitar esse mal-estar com o PSB no Ceará. “É preciso ouvir os aliados. Era bom que a assessoria dela negociasse tudo antes de bater o martelo para evitar ir a um lugar que está em pé de guerra”, afirmou. 

Correio Braziliense

Luiz Vasconcelos

O redator do blog tem formação acadêmica pela Universidade Estadual do Ceará na área de Pedagogia, no entanto, tem grande predileção pelo jornalismo.

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