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Safra no CE deve ser 75% menor que o previsto

Com o Ceará enfrentando o quarto ano seguido de seca, a safra cearense de grãos deve render neste ano menos de 25% ou um pouco abaixo de 1/4 da produção projetada no início de 2015. Em setembro, a expectativa do IBGE é que sejam produzidas 282.010 toneladas (t) de grãos em todo o Estado ante a estimativa inicial de 1.143.956 t.

O volume previsto no nono mês do ano (282.010 t) para a produção agrícola do Ceará também é 21,72% menor em comparação às 360.261 t esperadas no mês anterior (agosto). Sobre produção consolidada de 525.146 t no ano passado, que também foi um ano de seca, a previsão referente ao último mês de setembro é 46,30% inferior.

Considerando o cultivo de frutas frescas, a perspectiva também é de queda para os produtores cearenses. São estimadas, em setembro, 987.673 t de frutas frescas produzidas em 2015 no Ceará, um volume que representa uma redução de 12,11% frente a projeção do mês anterior (1.123.683 t); de 23,92% em relação ao primeiro prognóstico de janeiro (1.298.199 t); e de 23,25% comparando-se à safra de 2014, que resultou em 1.286.766 t.

Os dados constam na nona edição do ano do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) realizado pelo Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias do Ceará (GCEA-CE), do IBGE, para o ano de 2015, considerando o período de 16 de maio a 15 de junho deste ano.

Com base no estudo, a perspectiva ainda deve piorar, já que no segundo semestre não chove mais no Estado e a situação dos reservatórios se agrava, impactando diretamente a safra agrícola irrigada.

Segundo a supervisora de estatísticas agropecuárias do IBGE no Ceará, Regina Dias, a queda expressiva de 75,35% na safra de grãos em relação ao projetado pelo IBGE em janeiro se deve especialmente a má distribuição das chuvas. "Apesar da seca, a distribuição de chuvas em 2014 foi melhor, principalmente no Cariri. Este ano foi muito ruim para os grãos, porque as chuvas se concentraram na região metropolitana e no litoral, onde o peso da produção agrícola é mínimo", explica a supervisora.

Produção de milho

Segundo ela, esse fator prejudicou com maior ênfase a produção do milho, que corresponde a 67% da safra de grãos do Estado. A cultura do milho, conforme supervisora do IBGE, é "muito exigente". Desse modo, se faltar água na época da floração, a espiga não se forma.

No cômputo geral, no grupo dos cereais, leguminosas e oleaginosas, composto por dez produtos, oito apresentam redução: algodão herbáceo de sequeiro, amendoim, arroz de sequeiro, feijão de arranca de 1a (Vigna), feijão de corda de 2a safra (phaseolus), feijão de corda de 1a safra (Vigna), milho (grão) e mamona. Apenas a fava e o milho em semente registraram alta na estimativa de setembro. Com respeito às frutas, a situação deve ser ainda pior, considerando que a produção depende muito da agricultura irrigada.


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