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Diretores de hospitais de Fortaleza pedem demissão dos cargos

Os quatro diretores do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e a diretora-geral do Hospital de Messejana entregaram os cargos na tarde de ontem alegando descontentamento com a política de centralização da gestão financeira e administrativa das unidades pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa).

De acordo com os gestores, a transferência de funções para o órgão, iniciada no mandato do secretário Henrique Javi - que assumiu o cargo após a renúncia do então titular da Pasta, Carlile Lavor, em maio do ano passado -, teria ocorrido sem a isenção de responsabilidade das direções, prejudicando o gerenciamento dos centros e, em consequência, o abastecimento de insumos e medicamentos, assim como o pagamento de funcionários.

No HGF, renunciaram o diretor-geral, Romero Esmeraldo; a diretora administrativa, Maria de Lourdes da Mota Lima; a diretora técnica, Eliene Romero; e o diretor médico, Sérgio Pessoa. Já no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, a diretora-geral, Filadélfia Passos Rodrigues, anunciou que deixaria o cargo.

A reportagem do Diário do Nordeste entrou em contato com parte da diretoria do HGF, mas os gestores preferiram não se pronunciar sobre o assunto. Um dos gestores não atendeu às ligações da equipe até o fechamento desta edição.

Engessada

Segundo Filadélfia Passos, a centralização das gestões pela Sesa, por meio da Superintendência de Apoio às Redes de Unidades (SRU), fez com que a administração dos hospitais ficasse "engessada". Ela destaca que, com o novo modelo, as unidades têm sentido dificuldades em efetivar o suprimento de materiais e medicamentos e a remuneração de profissionais. "Quando houve a mudança, ficamos com esse problema, porque agora não somos nós que fazemos isso, tudo está centralizado na Sesa. O abastecimento de insumos não está fluindo e está ocorrendo uma dificuldade no fluxo de pagamentos. Não somos contra a gestão, mas é preciso que as coisas continuem fluindo", acrescentou.

A médica argumenta, ainda, que as direções dos hospitais perderam autonomia, porém não foram isentos de responsabilidade, o que estaria ocasionando desgaste por parte dos gestores. "Existe uma pressão em cima da gente no dia a dia. Tem pacientes precisando de medicamentos para sobreviver e, como não estou com a gestão financeira, não posso resolver", diz Filadélfia. "Para nós que estamos na ponta, que estamos sofrendo as dificuldades com os médicos e as enfermeiras, é muito difícil estar atrás do birô como se estivesse à frente", acrescenta.

Filadélfia Passos informou ainda que continua no cargo por 30 dias, enquanto a Secretaria de Saúde nomeia novo gestor para a unidade.

Outro motivo para a entrega de cargos seria a falta de diálogo com o titular da Pasta, Henrique Javi. Ontem, conforme relatou a diretora-geral do Hospital de Messejana, os gestores não foram recebidos pelo secretário.

De acordo com uma fonte do Governo, que preferiu não se identificar, os médicos, há alguns meses, já estariam insatisfeitos com a implantação do sistema de ponto eletrônico, que passou a controlar com maior rigidez os horários e plantões dos profissionais das unidades.

Atendimento

Em nota, a Sesa informou que "para melhorar o atendimento aos pacientes, os hospitais passaram a se dedicar exclusivamente à gestão da assistência". Segundo o órgão, a gestão administrativa dos hospitais foi centralizada na SRU no intuito de "priorizar e qualificar" o atendimento. Em relação à mudança de gestores, a Secretaria se limitou a afirmar que "entende que em todo processo de inovações há adaptações ou inconformidades".

(Diário do Nordeste)

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